RESGATAR A ESPERANÇA

Le Monde - Blog
Capa da edição 128

Temos que abandonar a fronteira do medo, da dúvida e colocar esperança no que fazemos. Muitas coisas independem de nossas escolhas, mas muitas de nossas ações podem contribuir para mudança.

Gostaria de estar focada mais para tendências de beleza, segmento que atuo enquanto empresária. Mas, confesso, não tenho conseguido desligar do contexto sócio-político do país. O crescimento do discurso de ódio, a ausência de expectativa dos muitos jovens, os indicadores de depressão e suicídio, devem ser uma preocupação da sociedade, e não uma linha divisória entre essa ou aquela ideologia.  Neste caso, chamo a atenção do Partidos, que têm responsabilidade sobre fazer da política um espaço para debate das questões públicas, das questões que envolvem todos nós, das questões que convergem para inclusão, crescimento e desenvolvimento.

Fico pensando se temos uma pauta que nos unifica enquanto nação. Não a nação do “faz de conta”, do “jeitinho brasileiro”, “do futebol e carnaval”, entre outras que integram o imaginário social. Mas, de um projeto de Nação que há muito sociedade, europeias, por exemplo, vem tentando avançar. Ou seja, uma sociedade realmente democrática e cidadã, com liberdade de escolha e expressão, transparência pública, geração de renda e ocupação, saúde, moradia e educação como essências à vida, entre outras tantas, difíceis enumerar aqui.

Complicado continuar pensando que somente às eleições, os partidos, o Estado pode mudar os rumos da história. Antes de todos citado, existe o Eu, que pode transformar o cotidiano com fé, esperança e caridade. Depois vem o Nós, que são as ações somadas, randomizadas e exponenciais devido à comunicação em rede sociais digitais, que está revolucionando o mundo.

Não tenho grandes propostas, não tenho grandes conclusões. Apenas levanto tal questão para refletirmos na possibilidade de convergir os interesses consensuais. Ou seja, buscar avançar sobre o que é consenso. Do contrário, continuaremos patinando sobre projetos desvinculados da realidade brasileira. Qual nosso projeto para o futuro? Com certeza não é de um Brasil Colonial, que exportava matéria prima e comprava manufaturado. Guardadas as proporções, foi isso que aconteceu recentemente com a política de preços de combustíveis: vendeu-se petróleo bruto para comprar refinado. Isso porque as refinarias brasileiras reduziram em 30% a capacidade de produção, geraram desemprego e queda no refino. Somados à alta do barril de petróleo e do dólar, desencadeou a greve dos caminhoneiros, que sem entrar no mérito das reivindicações, terá consequência a longo prazo. Poderia citar outros fatos como a soja exportada para China que retorna como ração para animais.

Concluindo, precisamos pensar no nosso projeto como Nação, onde questões mínimas como gentileza, respeito as diferenças (de credo, etnias, gênero, estilo de vida, opinião politica, etc.) e solidariedade sejam virtudes cultivadas no dia-a-dia, ao invés de armas para guerras digitais que contaminam o todo. Temos muito que avançar antes de perder batalhas para desesperança, fake news, discurso de ódio, insegurança… isso não beneficia ninguém, além de nos atrasar muito em um mundo que se move à velocidade da Luz.

O Brasil tem que agregar valor ao que produz e vender para o mundo. Temos tudo aqui. Tem que investir na indústria nacional, em todos os segmentos de produção, e não somente no setor agrário-exportador. Do contrário estamos fazendo o caminho de volta. Daí que usei a foto do Le Monde Diplomatique (veja imagem e tire suas próprias conclusões) para ilustrar tal post. Desde que li a matéria em março, pensei em como mudarmos tal imagem do Brasil lá fora. Ou, até quando teremos governantes que se colocam de joelhos para regras internacionais, desrespeitando uma riqueza de miscigenação étnico-cultural milenares que aqui se reuniram para realizarem seus sonhos? Desta mistura nasceu o brasileiro. Esta é nossa identidade e como ela teremos que construir novas possibilidades. Este é o legado de nossos antepassados: enfrentar as batalhas colocando esperança naquilo que fazemos.

 

Inocência Manoel – Co-Fundadora INOAR Cosméticos

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