Enquanto morar for privilégio ocupar é um direito

Incêndio Edificio Wilton

Essa máxima utilizada pelos trabalhadores sem teto que ocupam edifícios vazios é também uma consequência lógica da desigualdade social que assola o país. Na maioria das vezes esses edifícios estão vazios, por muito tempo, para especular com a subida de preços do mercado imobiliário. Realmente precisamos refletir sobre o problema: ele está nas ocupações ou  as ocupações são  consequência de um problema maior que é a especulação imobiliária?

Tal realidade foi denunciada pela máxima autoridade das Nações Unidas para assuntos de moradia e populações sem teto, a Doutora Leilani Farha.

A advogada canadense disse que o incêndio que derrubou o edifício Wilton Paes de Almeida, próximo  ao Largo do Paysandu, centro de São Paulo,  na madrugada do  1º de maio, “causa tristeza, mas  não surpresa”. Para ela “quando governos em nível federal e local fracassam em implementar o direito de moradia, grandes tragédias e mortes acontecem”.

Concordo com ela. A especulação imobiliária incentivada, e muitas vezes patrocinada pelos atuais governantes (Federal, Estadual e Municipal) exclui muitas pessoas do direito básico (e constitucional) da moradia, produzindo tragédias humanas como a que vimos no dia 1º de maio.

Pesquisei sobre o tema e o número de pessoas sem casa no mundo todo está crescendo e criando um problema muito sério de insegurança humana. No Brasil isso é muito grave, existem 6,6 milhões de pessoas sem moradia (a população inteira de um país como a Nicarágua, por exemplo) e paradoxalmente existem mais de 7 milhões de casas ou edifícios vazios. Ou seja, muita gente sem casa e muitas casas sem gente. É um problema sério para que reflitamos.

Acho que a especulação imobiliária tem muita culpa nisso tudo, já que o aumento do preço dos imóveis exclui justamente as pessoas com baixíssima renda que não podem pagar tais valores. Já pensou uma mulher com trabalho precário ou subemprego, que é a imensa maioria dos brasileiros, pagar por um apartamento de 100 mil ou 1 milhão de reais? Tem algo errado aí, não é?

Por isso sou solidária com as vítimas desse incêndio que ainda está sendo investigado, mas há indícios de que  não foi um acidente. Vamos acompanhando.

Falando em investigação, pergunto qual o resultado das investigações do assassinato da Marielle, dos tiros à Caravana do Lula e da tentativa de assassinato no acampamento em Curitiba, com munição exclusiva do exército e da Polícia Federal?

Investigações e sentenças neste País parece que só são rápidas para condenações sem provas, mas com muita convicção…

Aos interessados, sugiro a leitura da matéria sobre a declaração da representante da ONU: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43987258

 

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